quinta-feira, 30 de abril de 2015

PESCADOR FANTASMA. FRAUDES DO SEGURO-DEFESO SÃO ESTIMADAS EM R$ 3 (TRÊS) BILHÕES DE REAIS

            O programa criado pelo Governo para proteger pescadores que perdem o seu ganha pão no período de defeso, ou seja, no período em que o pescador fica proibido de pescar, pode ter o seu mérito, a questão é que a falta de controle abre margem para desvios absurdos. Segundo noticiou o Jornal Diário do Nordeste de 30 de abril de 2015, “A mentira de pescador deixou de ser a narrativa da captura de um peixe gigante indomável, daquelas que ressalta a destreza de seu autor. A inverdade mais oportuna é dizer que pescou, apenas. Paga-se bem por isso. Em Icapuí, no Litoral Leste do Ceará, pessoas então pobres e desempregadas aumentaram o patrimônio para mais de R$ 1 milhão em cerca de cinco anos sem pescar nem comercializar uma só lagosta, mas graças a ela”.
           
            São tantas as notícias hoje sobre desvio de dinheiro público que as pessoas perdem até a noção de como tudo isso acontece sem que as nossas autoridades adotem a tempo providências para evitar prejuízos tão gigantescos. Só mesmo muito descaso com o dinheiro do contribuinte explica esse fenômeno, que não é novo. Não há como nós brasileiros decentes, que pagamentos tantos impostos, não demonstrar a nossa indignação com tudo isso. Segundo o Jornal Diário do Nordeste, no Município de Icapuí no Ceará a carteira de pescador era concedida para quem quisesse: comerciantes, taxistas, bugueiros e empresários. É mesmo estarrecedor. Diz o Jornal:  

“Com uma carteira de pescador na mão, comerciantes, taxistas, bugueiros e empresários, alguns dos quais nunca entraram numa embarcação, participam de quadrilha interestadual que frauda o seguro-desemprego para pescadores artesanais, mais conhecido no setor como seguro-defeso. Deveria beneficiar somente quem está em atividade. Icapuí é apenas uma de dezenas cidades do norte e nordeste onde é verdade a existência de pescadores de mentira.

Investigamos e encontramos diversos participantes do esquema fraudulento, que envolve também políticos e servidores públicos. Na série ‘Pescador de mentira - Fraude no seguro-defeso’, publicada hoje e amanhã, entenda como ocorre essa fraude milionária comandada por pescadores de dinheiro público.

A eficiência da quadrilha fraudadora só vai até o modo de organização e termina por seu excesso. A facilidade com que as irregularidades ocorrem, em caminho livre para desvio de recursos, é tanta que, ao transbordá-la, os envolvidos se entregam. Até perceberem, contudo, que o crime está 'dando na vista', a rotina mantém-se inalterada e calma como as vilas praianas de onde vêm os endereços dos ‘pescadores’. A saída obrigatória de casa não é para o mar, e sim, ao banco a fim de sacar o benefício de um, dois, 200 supostos trabalhadores do mar. O primeiro passo é conseguir os documentos.”

            Como foi noticiado pelo Jornal Diário do Nordeste, no esquema de desvio de dinheiro público, além de comerciantes e empresários, que nunca pescaram nada, encontram-se políticos e servidores públicos.

            O pior de tudo é que os desvios acontecem, mas o dinheiro nunca mais retorna aos cofres públicos. E o povo é quem paga a conta, porque não tem escola de qualidade para o seu filho estudar, não tem saúde que preste, e ainda vive assustado no seu dia a dia pela precariedade da segurança pública. Para essas atividades essenciais falta dinheiro. E é natural em razão de tantos desvios.    

            Segundo noticiou o Jornal Diário do Nordeste, as fraudem ocorrem com muita facilidade. E muitos dos envolvidos confessam o crime com naturalidade. É incrível. Alguns talvez nem tenham escrúpulos de praticá-lo. Diz o Jornal:

“Quando Francisco Josieldo (nome fictício) recebeu a visita de um certo Jerônimo, também morador da Vila volta, em Aracati, foi só para pegar a 'papelada'. Antes, claro, uma conversa encorajadora. ‘Ele me disse que era só entregar documentos e resolvia o resto, já estava fazendo de todo mundo’.

A condição é de Jerônimo, o negociante, ficar com a metade do seguro, cerca de R$ 2,2 mil. ‘Mas ele disse que ia tirar só o da viagem pra pegar os documentos. Chegando lá, entregaria para o patrão’.

Cearense da Bahia

'Lá' é Alcobaça, no sul da Bahia, mais de dois mil quilômetros distante da Vila Volta, em Aracati. Jerônimo, um ex-pescador dessa comunidade, agora mora naquele município baiano onde teria ‘vida melhor’. Atua como agenciador das fraudes a partir do registro geral de pesca (RGP), a carteira profissional de trabalhador liberado pelas colônias de pescadores. Josieldo confessa-nos que não é pescador de lagosta como está descrito em sua carteira liberada pela colônia de Aracati. Quando vai ao mar, ‘vez em quando’, é só para trazer o almoço da família.

O seguro-defeso é destinado a profissionais que tenham, exclusivamente, a pesca artesanal como atividade econômica de sustento. Ele deve possuir o registro de pesca da lagosta e da piracema (peixes do tipo robalo, branco e camurim, que vivem em água doce). Josieldo não tem nenhum desses requisitos para obter o benefício e sabe disso, ‘mas disseram que dava certo’. Não estavam mentindo.

Nem para ‘Ivone’, servidora pública em Itarema, no litoral oeste do estado. O nome e o endereço domiciliar figuram numa lista com outras duas dezenas de mulheres pescadoras de lagosta. Nenhuma jamais pescou o crustáceo ou ao menos vai ao mar. Mas alguém com o seu cartão-benefício vai ao banco seis meses por ano.”


            Agora, segundo noticiou ainda o Jornal Diário do Nordeste, as fraudes estão na mira da Polícia Federal e dos órgãos de controle, já tendo sido, inclusive, objeto de Auditoria do Tribunal de Contas da União. Alguma coisa precisa ser feita. E os fraudadores devem ser condenados com todo o rigor da Lei. A dúvida é se isso de fato irá acontecer algum dia.  

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